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Por que social media é estratégico e não é só um post

O que parece só um post carrega a voz e a reputação da empresa. Veja os dados e o caso Duolingo que provam o peso estratégico do social media.

Thais AccettiEstrategista de Comunicação e Redes Sociais na Oi.Tha AgencyEscrito em julho de 20267 min de leitura

Porque cada publicação carrega a voz, os valores e a reputação da empresa diante do público que decide comprar ou não. Um profissional de social media não aperta botão: ele traduz a identidade do negócio para o único canal em que a maioria dos clientes vai conhecê-lo.

73%

dos consumidores compram do concorrente quando a marca não responde nas redes (Sprout Social Index, 2025).

Quem trabalha com comunicação já ouviu essa frase em alguma reunião: “ah, mas é só um post”. Eu perdi a conta de quantas vezes escutei isso, quase sempre de alguém bem-intencionado, geralmente na hora de discutir orçamento. E toda vez penso a mesma coisa. Se fosse só um post, por que tanta gente troca de marca por causa de um silêncio no direct?

O tal número de 73% vem do Sprout Social Index, uma pesquisa que ouviu mais de quatro mil consumidores nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália. E repare no detalhe: as pessoas não abandonam a marca quando ela posta algo ofensivo ou comete um erro grave. Abandonam quando ela simplesmente demora a responder. O silêncio, hoje, custa venda.

Por que o feed virou o balcão da empresa?

Durante muito tempo, a jornada de compra começava na vitrine, no vendedor ou numa busca no Google. Isso mudou, e mudou rápido. Levantamentos do próprio Sprout Social mostram que TikTok, Instagram e YouTube, somados, já respondem por mais de 60% da descoberta de novos produtos, ultrapassando a busca tradicional. Some a isso o dado de que 81% dos consumidores admitem fazer compras por impulso motivadas pelas redes, várias vezes ao ano, e o quadro fica claro.

Para a maioria dos clientes, o primeiro contato com uma empresa não é o site nem a loja. É um post. O segundo contato costuma ser um comentário ou uma mensagem no direct, que alguém precisa responder com a voz certa e no tempo certo. E o tempo certo é curto: 69% das pessoas esperam resposta no mesmo dia, e 70% esperam que ela seja personalizada, não um texto copiado e colado.

Ou seja, o profissional de social media não “cuida das redes”. Ele opera, ao mesmo tempo, o principal ponto de descoberta da marca, seu canal de atendimento mais visível e o termômetro diário da reputação. Tudo em público, tudo em tempo real.

O que um social media faz além de postar?

Um post de quinze palavras parece simples porque foi feito para parecer simples. Por trás dele existe:

  • Um tom de voz que alguém definiu, testou e defende todos os dias contra a tentação de soar como todo mundo.
  • Um calendário editorial que responde a uma pergunta estratégica: pelo que essa marca quer ser lembrada daqui a um ano?
  • A decisão, às vezes corajosa, de ficar de fora de uma trend: o Sprout Social apurou que um terço dos consumidores acha constrangedor quando marcas embarcam em qualquer viral que aparece.
  • O julgamento em tempo real de responder um comentário irritado num sábado à noite, com bom humor e sem arranhar a reputação da empresa.

Quem faz isso bem está exercendo critério de estrategista, não apertando botão.

O que o caso Duolingo ensina sobre social media?

Se alguém ainda duvida do peso estratégico desse cargo, vale contar a história do Duolingo. Em 2021, a conta do aplicativo no TikTok tinha 50 mil seguidores e estava parada. Uma coordenadora de social media recém-contratada, Zaria Parvez, contou à The Drum que pediu para usar a fantasia do mascote que estava encostada no escritório. A empresa topou. Melhor: deu ao time autonomia para criar sem pedir aprovação da diretoria a cada vídeo.

37M → 116M

usuários mensais do Duolingo entre 2021 e 2025, no mesmo período em que a conta no TikTok saltou de 50 mil para mais de 16 milhões de seguidores, um crescimento quase todo orgânico.

Em 2024, segundo a Duolingo Investor Relations, a empresa reportou receita 41% maior e 47,7 milhões de usuários ativos por dia. Quando o time encenou a “morte” do mascote, segundo a Meltwater, as menções à marca cresceram 25.000% e até a Dua Lipa entrou na brincadeira. E o elo com o negócio ficou visível na pesquisa de cadastro do app, aquela do “como você nos conheceu”: a cada vídeo viral, um pico de novos usuários.

Caos com coerência é estratégia

O time trata a caixa de comentários como briefing criativo: a audiência diz o que quer ver e a marca escuta, o que na prática é pesquisa de mercado contínua e gratuita. E por mais caótico que o conteúdo pareça, tudo está amarrado à identidade da marca: você reconhece um vídeo do Duolingo sem ver o logo. Caos sem coerência é só ruído.

Aqui no Brasil temos nosso próprio exemplo: a Lu, do Magalu, construída como personagem ao longo de mais de uma década, virou a influenciadora virtual mais seguida do mundo e hoje é um ativo comercial da empresa, não um enfeite do marketing.

E se a minha empresa não for o Duolingo?

Verdade. E é justamente por isso que o argumento fica mais forte. O Duolingo tinha dinheiro para anunciar onde quisesse e escolheu investir em gente, voz e autonomia. A maioria das pequenas e médias empresas não tem verba de mídia relevante, então as redes orgânicas acabam sendo o único canal de construção de marca que cabe no bolso. É exatamente esse cenário que uma boa curadoria para redes sociais resolve: quanto menor a empresa, maior o peso relativo do social media. O oposto exato do que a frase “é só um post” sugere.

O custo do improviso também está medido. Segundo o Sprout Social, quando a resposta demora:

  • 36% dos consumidores contam a experiência ruim para amigos e familiares
  • 31% desistem da compra
  • 30% partem para o concorrente

Nenhuma dessas perdas aparece no relatório mensal com o nome “subestimamos o social media”, mas todas nascem exatamente aí.

Como um post revela a alma da empresa?

Agora o ponto que os números sozinhos não capturam. Missão, visão e valores costumam morar em slides e em quadros na parede do escritório. As redes sociais são o único lugar onde esses valores viram comportamento público, diário e registrado. A forma como a marca responde a uma crítica injusta diz mais sobre a cultura da empresa do que qualquer manifesto, e fica guardada em captura de tela para sempre.

Quando o Sprout Social perguntou aos consumidores qual é a atitude mais memorável que uma marca pode ter nas redes, a resposta vencedora, com 51%, não foi campanha criativa nem posicionamento ousado. Foi simplesmente responder. A alma de uma marca se revela menos nos discursos e mais nesses gestos pequenos e repetidos. E quem executa esses gestos, um por um, todos os dias, é o social media.

A legenda não é um texto. É a tradução da identidade da empresa para o único idioma que o cliente de fato lê.

Apertar o botão de publicar é só a última etapa de um trabalho que começou muito antes.

O que muda quando a empresa valoriza o social media?

Muda o briefing, para começar. Em vez de “faz um post sobre o produto X”, a conversa vira “precisamos comunicar X, qual formato e qual tom fazem o público receber isso bem?”. Muda também o lugar do profissional: ele deixa de ser o último a saber dos lançamentos e passa a participar do planejamento, porque a escuta que faz diariamente nos comentários é inteligência de mercado que nenhum relatório trimestral entrega. E mudam as métricas. Curtida isolada é vaidade. As perguntas adultas são outras: estamos sendo descobertos? Respondemos no tempo que o cliente espera? Nossa voz é reconhecível sem o logo?

No fim das contas, o feed é a vitrine, mas o social media cuida da loja inteira: descoberta, atendimento, reputação e escuta. Cada post carrega a voz e os valores da empresa comprimidos em alguns segundos de atenção alheia, diante de um público que decide em silêncio se compra de você ou do concorrente que respondeu mais rápido.

Da próxima vez que alguém disser “é só um post”, responda com o dado: 73% dos seus clientes discordam. Só um post é aquele que a empresa publica quando ninguém pensou nele. Todo o resto é estratégia vestida de simplicidade.

Perguntas frequentes

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